| cartas

As cartas atravessam grandes distancias levando consigo as digitais dos seus escritores.

Me pergunto sobre a importância delas para continuar o meu trabalho; quem em mim escreve e para quem escrevo?

Sei que escrevo com o desejo de diálogo como exercício do pensar práticas de viver bem, diminuir sofrimento e aumentar potências de criação de modos, estilos e projetos aliados a inteligência da vida que temos todos os dias.

Publico aqui neste canal parte de minha produção profissional, fragmentos do percurso como psicólogo, analista e pessoa em continua investigação sobre si no mundo, inventando formas, editando imagens e praticando cotidianos cada vez mais livres de enfados e utilitarismos.

Compartilho olhares e escrever sobre ser corpo, ser anatomia viva em permanente ato de criação e adaptação nos ambientes, lendo mensagens, poesias, livros e descrições sobre a vida das pessoas contada por elas e somente por elas encontrar modos de narrar o que se viveu em suas trajetórias singulares.

Encontro nas correspondências uma oportunidade de apanhar afetos, evoluir projetos, redes e comunidades por meio de organizações e tecnologias sensíveis a vida diária das pessoas.

Faço uma parceria com as palavras, mesmo não me entendendo como um escritor, curiosamente me sinto um fazedor de frases, tal como me entendo um bom realizador de feituras concretas; marcenarias, plantios, arrumações e desorganizações de ambientes, gosto de pintar paredes, cozinhar, de sujar e limpar o chão.

Colocar a mão na massa é uma necessidade minha, tenho muita vontade de realizações concretas para ilustrar como me sinto, como penso e existo. Vivo neste território das investigações, montagens, desmontagens, pesquisas, hipóteses, descrições mais ou menos apaixonadas pela vida, pelos dramas, coreografias dos corpos me contando, escrevendo e improvisando modos de viver.

Diariamente manejo em mim forças de diferentes ordens diante o trabalho diário, e agora escrevo para continuar fazendo com as mãos as artesanias sobre tudo o que nos acontece quando queremos uma existência que funciona a favor da vida.

Registrar as feituras neste canal de comunicação é um desafio de libertar excitação de viver com as mãos livres para criar, pegar, investigar e provocar inquietações, atrair e canalizar o desejo de conexão. Gosto do adjetivo feitor, porque gosto desta imagem de quem faz algo com toda a atenção voltada para o FAZER e não para o feito e acabado.

Um feitor no meu imaginário é tomado por processos físicos e temporais envolvidos numa produção, tem poder de esquecer o objetivo e se encantar com os métodos, com a capacidade interminável de criar materialidades com o corpo.

Para alimentar meu interesse por continuar fazendo, escrevendo e aprendendo fazer diferença e singularidade, me lanço definitivamente no território dos registros, dos fragmentos, das cartas, das cartografias e do compartilhar público aqui neste Canal.

Escreva pra mim